sábado, 8 de junho de 2013

* Lamento sobre a terra dos poetas agonizantes



Lamento sobre a terra dos poetas agonizantes.



Palmares dos meus ninhos e âncoras.

Palmares de muitos cantares.

Palmares dos meus sonhos, vôos combalidos

Cerceados pela mesquinhez usurpadora.

Palmares de tantos encantos

Destruídos pela política deturpadora.



Palmares dos navegares em versos

Dos poetas construtores da tua História.

Histórias de variados poemas

Poemas com muitas histórias

Adernam no esquecimento e omissões.

Queria poder singrar teu Rio Una

Mas um agregado sólido rochoso impede.

Queria mergulhar fundo nas tuas águas

Mas a imundície dos esgotos e das usinas constrange.

Mas em versos purifico minhas mágoas

E calar este vociferar ninguém se atreve...



Decepções quisera que adernassem nas águas do Una

E levadas por ondas inclementes se misturassem ao Oceano das angústias insurgentes.

Que o povo clamasse educado pela Cultura agonizante.

Porém o crime perdura no uso de uma gente ignorante.




Do passado a Cidade vive de recordações.

Atualidade é sinônimo de contradições...

Marcam hoje, as saudades de tempos aúreos

Cujos registros foram levados pelas revoltas fluviais...

Restando apenas as memórias de quem teima contar,

Simples bardos críticos sobreviventes tratados como idiotas,

Porém galgam dimensões muito além das suicidas atitudes promotoras da ganância

Daqueles incautos galgando estrelato e espaço politiqueiro.



Coragem e luta somente nas lembranças

E poucos ainda nas teimosias inglórias...

Terra dos Poetas apenas um marco

Tradicional de passadas histórias.

A lira chora com a pena quebrada

Pelos desvarios de mandatários incoerentes

Que desprezam as glórias literárias presentes

Sem incentivar produção poética atual.

Tentam suplantar erros exaltando nomes do passado,

Esquecendo o quanto reivindicaram dos erros de governantes mais recentes.



Desprezo às tradições nunca vimos igual

Quando na comemoração da Emancipação Municipal

Literatura e Artes Cênicas não têm espaços nem incentivos.

Enquanto mudos são os versos engavetados escondidos

Ansiando se fazer em edições de livros.

Exaltam dois mortos e esquecem os vivos.

Até o imortal Jayme Griz é esquecido.

Telles Júnior com Museu escanteado.

Milton Souto, Fenelon Barreto, Lelé Correia e tantos mais

São apenas marcos em páginas que cujos nomes não se lêem mais.

Nem a placa de boas vindas à Terra dos Poetas não existe mais.

Isso o que a politicagem plutocrata à nossa terra trás.

Literatura deveria ser priodidade na Terra dos Poetas

Porém a prioridade é a politicagem e difusões das degradações...

Não há equitatividade de distribuições de recursos às expressões culturais.

E os eventos em derramas de altos cachês para artistas de outros rincões.





Jaorish

Palmares, 7 de Junho de 2013

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